domingo, 11 de janeiro de 2009

Cena 24 - Caros ex-vizinhos

São 3:07 da manhã e eu resolvi revisitar nossa velha vizinhança. A naturalidade com que percebi a falta de novidade foi gradativamente substituída por uma nostalgia cortante ao reler suas participações no meu blog. Comecei este caderninho de anotações virtual por mim, para fazer falar a voz pouco ouvida, independentemente dos leitores. Esperava apenas os imaginários. Mas, sem muito aviso, isso mudou. O blog passou a ser sobre vocês. Vocês, que participavam da minha vida de forma deliciosa, acompanhando, encorajando, consolando. Compartilhando. Participar de suas vidas, ler cada um de vocês, era prazer indizível. Eu escrevia porque sabia que o salário viria em forma de comentários e novas postagens, e os aguardava com ansiedade de criança que espera o pai chegar com doce.

Ao caminhar por estas ruas quase desertas, deparei-me, sim, com uma novidade, (contradizendo o que disse antes). Temos menos uma ou duas casas, algumas que não só foram abandonadas, mas também derrubadas. Repercussão do abandono geral (perdão àqueles que perseveraram).

Perdoem-me pela pieguice, mas meu coração apertou de saudade de um tempo repleto de vizinhos, “bests”, castelos, afinidades, contra-respostas, novas amizades, reflexões, desabafos, poemas e homenagens. Não nego que praticamente liderei a retirada, mas nunca pretendi que a vizinhança se tornasse o que é hoje: um velho álbum de fotografias. E estes parágrafos foram escritos apenas para admitir: sinto falta de vocês. Falta de nós.

Não importa quais foram e são os motivos. Cada um foi migrando, ou apenas aparecendo com menos freqüência, por razão própria, ou falta dela. Sei bem pouco sobre como anda a vida de vocês. Nossa amizade cibernética nos mantinha em maior sintonia, agora nos acompanhamos com menos presença.

Com isso, me ofereço para retomar a essência do que foi perdido. É difícil prever por quanto tempo conseguiríamos escrever sem deixar a pena cair, mas, independentemente disso, quero de volta o ambiente, a amizade. Chega do “ema ema ema”, quero saber que estão bem e, se não estiverem, quero a chance de tentar estar por perto, aliviar. Quero de volta as testemunhas, e quero assistir a suas vidas de perto, torcer pelos concursos, vibrar com as vitórias, chorar as dificuldades, compreender os fortes e tentar derrubá-los.

Sim, sim, sim, eu sei que vão me acusar de ter abandonado o barco. Mas são 3:47 da manhã, e eu acabei de passar pelo menos 40 minutos seguidos pensando unicamente em vocês. Ou em nós. De acordo com o meu livro, isso prova o argumento da saudade. E ela deve estar valendo alguma coisa, agora que o dólar caiu um pouco.

Para finalizar, altero, aqui mesmo, o nome desta postagem para “Caros eternos vizinhos”. Porque vocês podem até sumir, mas o terreno que conquistaram em mim foi mais sólido do que planejavam.

3 comentários:

Claudinha disse...

Talita!!!
Tô dentro!!!!
Beijos!

ricardo disse...

Como assim ex-vizinho?! Tô aqui, no mesmo banco, na mesma praça, tomando meu café...

beijos, ricardo

Juliano J. disse...

Tita,
Quando estava baixando uns programas atravez da minha conexao super lenta resolvi vizitar sua vizinhanca linda e maravilhosa, ela sempre tem algo q me traz entretenimento, entao resolvi dar um pulinho por la. Foi bem gratificante passar e rever seus sentimentos e ponto de vista sendo espostos para vizinhanca toda. Sou de fora e nao tenho uma residencia ainda nessa terra mas quem sabe agora com a crise do abandono eu possa adquirir um canto pra mim bem barato? Eh muito bom visitar sua vizinhanca! Talvez sim, muitos se foram e quase tudo foi abandonado mas sei que os seu jardim nao para de florir por isso eh que eu volto e tenho que visita-la.
Bjao!